História de vida

sábado, 17 de janeiro de 2015

Eis.

“É tudo uma grande perda de tempo, não é? Nada dura, nada conforta, nada fica, nada acalma, nada acontece, nada entrete, nada muda, nada é suficiente. Nada sou eu. Duro, conforto, fico, acalmo, aconteço, entreto, mudo, mas suficiente nunca sou. A busca é em vão, a espera é a utopia em que nos fazem acreditar. O tempo passa, o tempo mói, todos se cansam, todos se vão, as coisas mudam e você aí parado. Braços cruzados, semblante abatido, olhar cansado, mente significativamente extraordinária, mas com uma convicção torta, um pensamento tolo, uma imagem errada da vida. Ela nunca muda, lembre-se: eu sou o nada. Insuficiência é a questão. Paixões desnecessárias, amor barato, simpatia exagerada, anseios fúteis. Essa é sua vida, ser humano, contente-se. Sem ela você nada seria. Que tal ser alguém? Como é maravilhoso existir… Existir dentro da gente, porque lá fora o mundo é sujo, o mundo é nojento. Ah, quem me dera deixar a vida aqui fora e viver somente em mim. Pois há várias pessoas assim nesse momento, caro poeta. Mas não estão presos dentro de si e sim amarrados a um leito, sem alcançar a luz. Essa existência parece mais agradável pra você, capitão? O duro não é existir, o duro é ser, ser quem você é. Dissipa essa tua melancolia, guarda ela pros teus versos, tranca numa caixinha de tinta que só se usa no papel. Seja mais do que se é. Aproveita essas pernas, anda por aí! Não as tem? Abraça alguém. Tá sem braços? Encosta tua cabeça no ombro do teu diletante, todos temos um. Ah, você não consegue se mexer? Respira, respira fundo e cria um mundo. Um mundo em que outrem se preocupem com algo além de si mesmos. Onde a mágoa e o cansaço só existem em quem se fadigam, onde a busca nunca acaba, onde o egoísmo não existe.”

Um comentário:

Rose Cassée disse...

Que texto lindo! Fantástico! Grande inspiração! *o*

Força pra nós ♥